terça-feira, 27 de janeiro de 2015

AS VIAGENS DE ENEIAS NA OBRA VIRGILIANA E SUAS RELAÇÕES COM AS OBRAS HOMÉRICAS: ILÍADA E ODISSEIA.



Marconde Maia[1]
WebersonGrizoste[2]

Resumo: Este presente artigo irá retratar a história da Literatura Latina que está dividida em dois períodos distintos. O termo se dá ao corpo de obras literárias escritas na Língua Latina, que constrói um legado duradouro da Cultura Romana, permanecendo até os dias atuais. Serão discutidos também os principais escritores Latinos que se destacam como Catulo, Horácio, Plauto e, principalmente, Virgílio com o Poema épico Eneida, obra que será relacionada comas obras épicas Odisseia e Ilíada, de Homero, escritor grego. As três obras terão fatores relacionados no decorrer deste artigo focalizando as viagens prolongadas e aventureiras dos heróis contidos nas obras.

Palavras – Chave: Literatura Latina. Eneida. Ilíada. Odisseia.


A Literatura Latina está divida em períodos distintos. Este nome se dá ao corpo de obras literárias escritas na Língua Latina, construindo um legado duradouro da Cultura Romana, permanecendo até os dias atuais. Neste período os literários romanos escreviam comédias, tragédias, poesias, buscando retratar em suas obras a origem de Roma, preservando a cultura romana, baseadas nas tradições de outras culturas, neste caso, nas obras literárias gregas.
Na Literatura Latina além de outros escritores como Catulo, Horácio, Plauto, Ovídio e demais, destaca-se Virgílio – com o Poema épico Eneida que será relacionado com as obras épicas Ilíada e Odisseia de Homero, poeta grego. Tais obras que contam a história de heróis que lutam por sua cidade.
O termo épico designa um poema heróico protagonizado por um ou vários personagens caracterizados por suas ações. A epopeia em geral celebrará o feito mais representativo de um povo, manifestando seus sentimentos nacionalistas. Na concepção clássica, a epopeia se caracteriza em três gêneros: o épico – predominado pela objetividade da escrita; o lírico – prevalecendo a subjetividade e o dramático – entrelaçando-os.
A epopeia tem em comum o caráter espontâneo, sendo popular ou coletivo, constituindo-se pelo modo de como as lendas eram transmitidas aos leitores. Em geral, contam histórias de heróis que buscam nas batalhas construir seus impérios ou lutar por seu império em defesa de um povo. Além disso, constam também as viagens prolongadas e aventureiras desses heróis. É possível ver o aparecimento de elementos sobrenaturais, fundamentando o épico na poesia. Estes elementos épicos podem ser visto em Ilíada e Odisseia, obras escritas por Homero, que terão fatos relacionados com a obra virgiliana Eneida neste artigo.
Eneida, obra épica latina escrita por Virgílio no século I a.C, focaliza a saga de Eneias pelo mar mediterrâneo ate chegar à península itálica. Eneias é um troiano que foi salvo dos gregos. A Eneida é uma epopeia feita por encomenda pelo imperador de Roma, Augusto. Virgílio escreve este poema contando a história de Roma, retratando o poder do império romano. A obra virgiliana é composta por 12 cantos, sendo, pois, uma obra incompleta e inacabada.
Virgílio ao escrever Eneida inspirou-se em Homero, que escreveu Ilíada e Odisseia. Portanto, a Eneida é metade iliática e metade odisseica e, em geral, os livros de 1-6 são relacionados com a Odisseia e os de 7-12 relaciona-se com a Ilíada[3].
A passagem no primeiro livro da Ilíada, onde Tétis intercede para Zeus glorificar o seu filho, ato que culmina com a morte de Heitor, encontra-se um paralelo no poema latino quando Vênus exige o cumprimento da promessa do deus, da raça que deveria nascer do sangue de Teucro[4]. 
A Odisseia, Obra homérica, foi, provavelmente, escrita no século VIII a.C. É um poema épico composto por 24 cantos narrando toda a trajetória de Ulisses em duas partes. A primeira compreende os acontecimentos vistos em 09 capítulos, quando o herói é afastado de casa, forçado pelas dificuldades criadas pelo deus Posêidon[5]. A segunda parte é composta por mais 09 capítulos descrevendo o retorno do herói a Ítaca, sob a proteção de Atena[6].
A Ilíada, narra o drama do herói Aquiles, filho da deusa Tétis e do mortal Peleu rei de Ftio. É uma epopeia com 24 cantos que é narrada em torno da guerra de tróia que teve duração de 10 anos. Toda a obra é derivada de Ílion, nome grego dado a cidade de Tróia. De acordo com a lenda, a guerra de Tróia foi motivada pelo rapto da princesa grega, Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau, por Páris, filho do rei Príamo, de Tróia. Agamêmnon arrebatara Aquiles, o mais voroso guerreiro grego para a guerra. Começa o inicio da Ilíada com o primeiro canto cito na obra:

Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles
 A ira tenaz, que, lutuosa aos gregos,
Verdes no areo lançou mil fortes almas,
Corpode herói ações e abutres postos[7].

A Eneida não pode ser vista como uma mera tradução da Odisseia e da Ilíada, visto que possui um mosaico de passagens épicas que Virgílio escolheu e adaptou cuidadosamente em sua própria palavra num mundo digno de classificação semelhante ao de Homero.[8] Para muitos críticos esta obra é considerada como uma epopeia copiada de Homero, possuindo aspectos de verossimilhanças entre os personagens principais das obras. Eneias representa a raça de Heitor, em caráter iliádico, agora na posição de Aquiles.

Esta obra é uma epopeia invertida, porquanto nela ocorre a desconstrução das obras homéricas não apenas no sentido temporal, mas também no que toca ao papel dos próprios personagens: Eneias representa a raça de Heitor, agora na posição de Aquiles e Turno o novo Aquiles na posição de Heitor[9].

Por ser considerada uma obra invertida, Eneida de Virgílio, retrata as tradições vividas na época; as guerras e, consequentemente, derramamento de sangue e morte pode ser vista em todo o poema épico. As vitórias de Eneias são contidas em derrotas e a confraternização da paz entre as nações. Tornando-se um herói melancólico que se entrega de corpo e alma por seus companheiros às batalhas, a fim de destruir o inimigo e trazer de volta a Roma a paz.
O herói virgiliano está diante da guerra em Tróia nas pinturas de um templo em Cartago e lamenta pela morte de seus companheiros, assim como Ulisses, na obra homérica, Odisseia, chora ao ouvir o canto de Demódoco[10] no palácio de Alcino. O choro de Eneias é mais doloroso por ser um herói vencido, já Ulisses é um guerreiro vencedor.
Medeiros[11] diz que Virgílio é sem duvida o próprio Eneias, contando em seu poema sua própria história, suas viagens pelo mar mediterrâneo até a chegada em península itálica. Retrata ainda que Virgílio acreditava que mais longe, para além do Éter, mais tarde para além do tempo, o sangue e as lágrimas do herói derrotado hão-de florir em solos férteis.
Grizoste[12] retrata que Virgílio tece uma rede de intertextualização, controlada pela sua seleção a partir de sua leitura exercida em Homero se tornando de fato a evocação mais profunda do poeta grego[13]. Virgílio extrai para sua obra o sucesso e o insucesso das obras gregas: a Odisseia com as peripécias de um herói que regressa de um triunfo militar representado na Ilíada[14]. A obra virgiliana é contida de elementos semelhantes às obras homéricas. Ao escrever a Eneida, Virgilio buscou minuciosamente retratar seus personagens na concepção latina, elevando seu propósito de elencar a contextualização romana, em suas origens. As viagens, as guerras, o retorno do guerreiro romano são elementos vistos nas obras homéricas.
Eneias é o negativo de Ulisses, havendo diferenças entre os heróis. O herói homérico apesar de ser um peregrino é um astucioso, com objetivo de ganhar honra para si e regressa para junto de sua amada. Eneias afasta-se de sua pátria e caminha em busca de uma nova vida com objetivo de ser diferente em relação ao passado. Eneias quer um novo começo[15]. 
A maior epopeia da Literatura Latina, modelo para quantas escreveriam depois do ocidente, é Eneida, escrita no ano 29 a.C.“Embora o espírito da epopeia de Virgílio já estivesse bem distante daquele que iluminara a Ilíada e a Odisseia, suas fontes de inspiração, o autor da Eneida era o dono de um verso magistral, musical, que conquistaria toda a Europa medieval e cristã” [16].

No canto XIII, presente na Odisseia, narra o retorno de Ulisses a sua cidade, ao seu reino.

Calam-se todos, em deleite absorttos,
 Pela ampla sala opaca. E Alcino: “Ulisses, Pois que viestes ao meu palácio aênio,
Teus males findos creio e teus errores.
Vos que abranda em harmonia e o vinho da honra
 Gozai sem meus fetins, às ricas vestes
 E ouro acendrado n’arca sua inclusos
 Dádivas dos senhores, por cabeça
Grandes bacia e trípode ajuntai-me;
Já sós não bastamos, brinde o povo
 Conosco à larga este hospede bizarro[17].

Observa-se o convite de Alcino a Ulisses para participar de um banquete no palacio. Ulisses é recebido e também é presenteado pelos príncipes convidados por Alcino. A narrativa é considerada magistral, um encontro que se diria o momento mais importante de toda a obra. Ulisses está em despedida para seu reino. Na tarde do dia seguinte retorna à Ítaca, sua cidade.
Os épicos homéricos certamente fazem muitas referencias à realeza. Mas a frequência em Virgílio é significamente maior do que de Homero, e Eneias é de fato o símbolo da monarquia augustana dentro da poesia, pois é configurado como o fundador da origem romana[18].
No VI[19] canto de Ilíada vemos o encontro de Heitor e Eneias que lutam juntos e evitam que os troianos fujam da batalha. Toda a narrativa é dada em um campo de guerra contra os troianos. Na representação de que Eneias representa a raça de Heitor visto neste canto, Willians[20] aponta que Virgílio foi fraco em seu herói, comparando com Aquiles este é a sombra de um homem. Ficando claro neste canto.
Outra característica presente na obra virgiliana, tendo relação com as obras homéricas Ilíada e Odisseia, está presente no final do segundo livro de Eneida, onde Eneias busca abraçar a penumbra de sua esposa, tudo em vão. Indicando a verossimilhança do personagem virgiliano com os personagens homéricos, Aquiles e Ulisses.

Furente as casas lustros, e saio e torno,
Quando a sombra da esposa, imagem triste
Maior que dantes se me avulta os olhos,
Pasmo, hirta a coma a voz se apega às fauces
Ei-la afável me alenta e assim me acalma:
“Que vale a dor sobeja, ó doce esposo
Sem nume isto não é: levar Creusa
Te veda o fado, o regedor sublime
Do Olimpo o não concente[21].

No vigésimo terceiro canto de Ilíada, Aquiles tenta abraçar a penumbra de Patroclo. O herói homérico faz os funerais de Patroclo e também organiza jogos fúnebres aos convidados. Toda poesia é contida em festas.

Após ele, os Aqueus nas crimpulcras   
Bigas circundam três vezes Patroclo,
E Tétis exacerba o luto e o pranto; (..)
Em soluço Aquiles urra impondo
As homicidas mãos do sócio aos peitos:
“Salve, Patroclo, na Plutônia estância!
Hei-de a palavra encher: Heitor em pasto
A cães dar; em vingança, doze ilustres
Jovens de Ílion ante a pira degolar-te”.[22]

Nota-se a ira de Aquiles ao ver Patroco morto e jura a morte de Heitor na guerra de Tróia. O desejo de vingança do herói iliádico é claramente visto no poema.
No décimo primeiro livro de Odisseia, Ulisses tenta abraçar a penumbra de sua mãe.   Fatos que se assemelham em Eneida de Virgílio.
      
Aguardei minha mãe, que o negro sangue
Beber veio, e bradou-me lamentosa:
“Que! Filho meu, chegastes à escura treva!
É difícil aos vivos, entre enormes
E validas correntes; nau compacta
Há mister o Oceano invadeável
De Ílion, há muito errabundo, os sócios trazes?
Ítaca, ainda não vistes, a esposa tua?”
“Ah! minha mãe”, respondo, “urgiu-me a sorte
Avir o Orco interrogar Tirésias.
Não fui à nossa terra, ou mesmo à Grécia”[23].

Grizoste[24] diz que os heróis homéricos possuem característica que por sinal, vai além da nossa existência física: Aquiles precipitou-se pelas suas próprias mãos, Ulisses sentiu frustrações e Eneias lamentou o fato de não ter sucumbido com os troianos que pereceram na muralha de Tróia.
Virgílio tinha o objetivo de criar um poema cheio de vida, mas viu sua obra migrar de um espaço de luz para um espaço de sombras. Para Medeiros[25] o próprio poeta e afetado por essa mutação: no leito de morte quis destruir seu poema,em uma época de conturbadas amarguras.
Ao escrever sua epopeia ao imperador romano, Augusto, Virgílio, buscou nas obras gregas, preferencialmente em Ilíada e Odisseia, retratar em Eneida, que é considerada como uma das maiores epopeias latinas, a distorção de um herói que luta pela paz de Roma, juntos com seus guerreiros. Eneias é o herói escolhido por Virgílio para contar sua própria historia de vida, suas viagens e aventuras, extraindo elementos sobrenaturais contidas nas obras de Homéricas.
Virgílio tinha um objetivo ao criar seu maior poema, considerado para muitos críticos, como o principal poema da literatura latina enche-lo de vida como Medeiros[26] retrata em sua obra. A Eneida de Virgílio é uma obra distorcida das obras homéricas, Ilíada e Odisseia, visto que, o autor haveria lido estas obras.
REFERÊNCIAS:

GRIZOSTE, Weberson Fernandes. Os Timbiras: os paradoxos antiépicos da Ilíada brasileira, Coimbra, FLUC, 2013.
________, A dimensão anti-épica de Virgilio e o indianismo de Gonçalves Dias, Coimbra, CECH, 2011.
HOMERO.Ilíada. Trad.MENDES, Manoel Odorico, São Paulo, Martin Claret, 2007.
­­­________. Odisséia. Trad.MENDES, Manoel Odorico, São Paulo, Martin Claret, 2007.
MEDEIROS, Walter de, ANDRÉ, Carlos Asceno, PEREIRA, Virginia Soares, A Eneida em contraluz, Coimbra, Instituto de Estudos Clássicos, 1992.
VIRGILIO, Eneida Brasileira, Bilíngue, Org. e anot. Paulo Vasconcelos et alii; trad. e anot. Odorico Mendes, Campinas, Unicamp, 2008



NOTAS
[1] Acadêmico do 6º período de letras no Centro de Estudos Superiores de Parintins, CESP-UEA.
[2] Docente em Língua Latina no Centro de Estudos Superiores de Parintins, CESP-UEA.
[3]Apud Grizoste, 2013, 40.
[4]Sellar apud Grizoste, 2013, 39.
[5]Posêidon: deus dos mares, in Odisseia, 2007, 23.
[6] Atena: deusa do pensamento, in Odisseia, 2007, 23.
[7] Canto I Ilíada, 2007, 25-26.
[8]Schlunk apud Grizoste, 2013, 40.
[9]Grizoste, 2013; 43.
[10] Medeiros, 1992, 12.
[11] Medeiros, 1992, 22.
[12]Apud Theodorakopoulos, 1997, 159 – 160.
[13]Apud Quinn, 1968, 278.
[14]Grizoste, 2011, 41.
[15]Willians apud Grizoste, 2011, 43.
[16]Mendes, 2007, 19.
[17] Canto XIII, Odisseia, 2007, 239-240.
[18]Grizoste, 2011, 43.
[19]O canto VI, está contido nas paginas 159 – 176, da tradução de Odorico Mendes,  narrando  os deuses que se retiram do campo de batalhas e os gregos avançam. Heitor e Eneias evitam que os troianos fujam. Diomedes, filho de Tideu, encontra-se com Glauco e sela sua fidelidade no combate. Heitor, seguindo o conselho de Heleno, oferece uma hecatombe a Minerva. Em seguida, ele vai ter com Páris e o encontra junto de Helena. Heitor se põe a conversar com Andrômaca e afaga seu filho ainda pequeno. Páris, tomando suas armas junta-se a Heitor e os dois voltam ao campo da peleja.   
[20]Apud Grizoste, 2011, 43.
[21] Canto II, Eneida, 2008, 72.
[22] Canto XIII, Ilíada, 2007, 485.
[23] Canto XI, Odisseia, 2007, 208.
[24]Grizoste, 2011, 28.
[25] In Grizoste, 2011, 29.
[26] In Grizoste, 2011, 29.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

ANÁLISE MORFOLÓGICA DA FALA DOS MORADORES DAS COMUNIDADES DE MACURANY, ANINGA E PARANANEMA.



Marconde Maia Cruz (UEA)
Adenilce Oliveira de Souza Pinheiro (UEA)
Maria Celeste de Souza Cardoso (UEA)

Resumo Expandido: Conforme dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estástistica (IBGE, 2010) o município de Parintins se localiza à margem direita do Rio Amazonas, em uma área de 5.978 quilômetros quadrados e fica a 369 quilômetros da capital, Manaus, em linha reta e a 420 quilômetros por via fluvial. Saunier (2003) afirma que a cidade é típica do interior amazonense e possui mais de 100 mil habitantes, muitos oriundos de outros estados.   Parintins é uma cidade marcada por diversos traços socioculturais herdados pelos portugueses, espanhóis, japoneses e demais viajantes de diferentes estados do território brasileiro, tendo em vista que a cidade possuiu uma relevante colônia destes imigrantes. Em sua formação histórica, a cidade é o resultado da miscigenação de três etnias que compõem a população: o índio, o europeu e o negro, formando, deste modo, os mestiços. A linguagem do povo parintinense surgiu da miscigenação destes povos que colonizaram e habitaram nossa terra e possui uma grande importância, pois esses traços linguísticos fizeram nascer nossa identidade cultural, o nosso linguajar. Os traços socioculturais do povo parintinense são bastante fortes. Esta pesquisa realizada nas comunidades de Macurany, Aninga e Parananema, para análise morfológica da fala dos moradores, mostra que os adultos possuem um falar que foge às regras gramaticais padrão enquanto que os jovens têm mais influência linguística das escolas e também das universidades enriquecendo seus vocabulários, criando novas palavras do mundo moderno. Este trabalho fundamenta-se na Morfologia, a qual se designa como o estudo das formas das palavras dividindo-se em três partes: flexiva, derivada e sintática. A morfologia flexiva vem analisar as diferentes formas que uma mesma palavra se encontra, isto é, sua variedade, enquanto que a derivacional trata das relações entre paradigma diferentes – paradigmas separados. A morfologia estuda também os gêneros, o número e o verbo em seu tempo. O morfema gênero como se sabe está dividido em masculino e feminino “a inerência do gênero é uma característica tanto do substantivo primitivo quanto do derivado” (LAROCA, 2001; p. 45). Apesar de defendido por diferentes gramáticos como processo flexional, se é que ele existe como tal para expressar a categoria gênero nos nomes do português, consideramos que isso não é relevante, uma vez que, como estamos percebendo, o gênero é uma categoria inerente aos nomes do português e, na maioria deles, não existe uma marca flexional para evidenciá-lo, ficando tal procedimento claro através da concordância de outro determinante. Como exemplo, temos a seguinte frase expressada pela moradora de uma das comunidades, “eu nunca vi meu pai e minha mãe se xingando”. Nota-se na frase que os substantivos que designam pessoa tanto em masculino e feminino estão destacados e identificam-se pelo sexo, a palavra pai indica o homem e o item lexical mãe indica mulher. Mas há também outros itens como filho – filha, menino – menina etc. Assim, é possível fazer duas generalizações, quando se trata das classes temáticas substantivas. A primeira é que “o feminino é realizado por formas de tema em -a”; a segunda diz que “os adjetivos de tema em -o são masculinos”. A partir dos exemplos acima como filho e menino, é possível encontrar a base lexical desses substantivos /filh-/, /menin-/ e a especificação do tema /-o/ para o masculino e o tema -a para o feminino, como em filha e menina. Os morfemas de número em língua portuguesa se caracterizam em singular e plural, como no exemplo: “os meus filhos estudam de manhã lá na escola”. É possível verificar que o substantivo em destaque “filhos” se flexiona junto com o pronome e também com o artigo em sua pluralidade. O morfema (plural) realiza-se através dos alomorfes encontrados na gramática da língua portuguesa /s/, /es/, /is/, condicionados a determinados contextos fonológicos. Nota-se que na frase citada acima se encontra a palavra, filhos, o alomorfe /s/ indica a pluralidade deste item lexical. Observaremos agora outras palavras expressadas pelos moradores destas três comunidades em estudo, tanto em seu singular como também em plural: pai – pais, família – famílias, mãe – mães, filho – filhos, menino – meninos etc. Os morfemas verbais possuem uma estrutura padrão que pode ser representado no seguinte modo – (((R + ST) + SMT) + SNP), sendo o R – a raiz, ST – sufixo temático, SMT – sufixo modo temporal, SNP – sufixo número pessoal e por último o SVN – sufixo verbo nominal. Em outra frase estipulada por um dos moradores das comunidades “os meus filhos estudam de manhã lá na escola”. O verbo em destaque está na terceira pessoa do plural do presente do indicativo e flexiona-se de acordo com o substantivo filhos, com o pronome possessivo meus e também com o artigo os todos em sua pluralidade. Na gramática padrão, vamos ter as seguintes colocações deste verbo: (((R = estud + ST = a) +SMT= 0) + SNP= m). Outras formas também podem ser observadas, (((R = estud + ST = a) + SMT = va) + SNP = mos); SVN(((estud + a) + ndo). A pesquisa nas comunidades citadas acima foi realizada por procedimentos metodológicos, como o método indutivo, com dados coletados por meio de entrevistas com os moradores, buscando analisar de forma morfológica as falas destes residentes nessas comunidades, partindo do particular para o geral. Foi uma pesquisa de natureza qualitativa uma vez que tem como objetivo principal analisar essas falas e também é uma pesquisa bibliográfica, buscando informações de autores que falam sobre a morfologia, bem como de campo, realizando entrevistas com esses moradores e coletando  dados para a análise morfológica das falas de cada um. Apesar dos aspectos que tornam um homem usuário, a língua nunca é utilizada pelos seus falantes de maneira uniforme. Surgem então as variedades na expressão da língua, chamada de variação linguística. De forma geral, essas variações são encontradas nos seguintes termos da linguagem: variação cultural – que diferencia a língua de região para região; variação sociocultural – grupos sociais que manifestam a mesma língua; variação expressiva –expressão literária da língua submetida à criatividade. Os dados coletados dos moradores das comunidades do Macurany, Aninga e Parananema, para análise morfológica, nos fez perceber que a utilização de uma linguagem coloquial que foge às regras padrão da gramática, já os jovens por influência das universidades, escolas públicas e meios de comunicação integrados como o celular, computador etc., enriqueceram mais seus vocabulários, internalizando essas palavras e expressando-as entre si em grupos sociais ou até mesmo nas comunidades em que vivem. Lyons (1987) diz que um dos processos de expansão dos vocabulários é a incorporação de novas línguas. Com a industrialização, cresceu a publicidade privilegiando ainda mais o áudio visual, incluindo os computadores, notebooks, celulares e demais aparelhos eletrônicos que transmitem a comunicação entre os jovens. 
REFERÊNCIAS
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Divisão Territorial do Brasil. Pagina visita em 02 de Abril de 2014 às 10h35min.
LAROCA, Maria Nazaré de Carvalho. Manual de morfologia do Português. 2° ed. Campinas, São Paulo; Juiz de Fora. MG: UFJF, 2001.
LYONS, John. Linguagem e Linguística: uma introdução. Rio de Janeiro: LTC, 1987.
SAUNIER, Tonzinho. Parintins: memorias dos acontecimentos históricos. Manaus; Valer, 2003.

SÍNTESE: A EVOLUÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA: DESCRITA EM CRESTOMATIA ARCAICA



Marconde Maia Cruz
A língua portuguesa que se é falada atualmente sofreu varias transformações em seu momento histórico, até chegar a esta que forma de se expressar ou ser expressada pelos falantes da língua. Historicamente, a língua portuguesa é denominada de língua românica, por ter se originado do latim e trazendo consigo sua evolução.
É dito por diversos historiadores que foi da língua latina que se originou muitas outras, como a francesa, italiana, inglesa e demais outras, tendo em vista que esta se concentrava de modo particular em Roma, por este motivo foi considerada uma língua românica. A língua portuguesa em sua evolução teve vários determinantes lingüísticos latinos como o Latim Pré-Histórico – sendo falada entre os séculos XI até VII a.C. Esta documentada como ma primeira habitante do Lácio; Latim Arcaico – idioma utilizado no século III a.C. o latim clássico que se ordenou no inicio do século I a.C, onde foram compostos vários documentos literários importantes na época. Grandes escritores surgiram nesse período como Virgilio, Horacio e demais escritores literários; Latim Vulgar – uma língua que se distancia do latim clássico, por ser uma língua própria do povo, observa nesse período uma nova maneira de falar, mais culto que se é lembrado nas obras cômicas de Plauto entre os séculos III e II a.C, uma linguagem sujeita a alterações; galego português – uma língua falada sem disciplina gramatical, produzindo falas diferentes, linguagens diferentes e tempo depois veio a separação dessa língua dividindo-se em duas, o galego e o português que se é falado atualmente.
A língua portuguesa desde que foi fixada na escrita ate aos dias atuais, sofreu varias mudanças, principalmente em sua fonética e morfologia. Durante sua evolução a língua sofreu mutações em sua gramática fonética causando estranhamento na língua mudando sua forma de ser expressa pelo falante e também alterando as acentuações gráficas nas palavras. Pode-se notar essas mudanças no vocalismo, descritos pelas letras a-e-i-o-u, mudanças sonoras nestas quanto a colocação dos acentos, perdendo sua essência. A língua latina possuía dezenove consoantes, B-C-D-F-G-H-J-K-L-M-N-P-Q-R-S-T-V-X-Z, essas consoantes poderiam ser reduzidas para quatorze caso eliminarmos a letra H, desaparecendo junto as letras K e Q, X, S e Z. O consonantismo divide-se em três famílias: palatais dotadas pelas letras C-G-J; dentais com as letras T-D-S-N-R-L, lábias com as letras P-BV-F-M.
Em sua morfologia as mudanças ocorrem nos substantivos e adjetivos. Os nomes que hoje, no português atual terminam em ão, na língua arcaica terminavam em om depois sofreram mudanças terminando em am como em coração, bênção etc. Antigamente era descrito como coraçom,  bencom e passaram a ser coraçam, bençam etc. Em seu gênero como já se sabe na gramática atual possui dois, masculino e feminino, no latim eram três, masculino, feminino e neutro.
Os verbos latinos são divido em quatro conjugações: a primeira terminada pela ultima letra do tema, neste caso a letra a; a segunda terminava na letra e,  a terceira em consoante e a quarta em i como observa em monere; digere e sentire. Na língua portuguesa atual não sofre tantas mudanças, apenas o rejeitamento do particípio do presente havendo ainda vestígios da linguagem latina.
A gramática sintática sofre um afastamento da atual, diferenciando-se da gramática portuguesa atual. A poética não se diferencia da atualidade. Sabe-se que como acontece em todas as literaturas o que prevalece é o verbo ou escrita poética, pois a literatura pode ser de bom gosto para uns, mas para outros não.  Todo realidade vivida é descrita literariamente, sendo em contos, romances ou em poesias 

SÍNTESE: RELAÇÕES ENTRE AS LENDAS PRIMITIVAS ROMANAS E AMAZONENSES



Marconde Maia Cruz[1]

O que se pode considerar importante para uma região ou uma cidade é sua própria história, sua origem, levando ao leitor o seu processo existencial. Essa história, contada narrativamente, pode ser vista por diversos ângulos: histórica, etimológica, antropofágica, religiosa, etc. O existencialismo de uma região ou cidade pode ser contada através das lendas, contos e mitos, sendo escrita ou oralmente.
A mitologia romana é cercada de antropofagia, narrando a existência de Roma, bem como, os guerreiros lendários e elementos etimológicos que buscam preservar a cultura desta nação, como se é visto em, Horácio Cocles, situando no quadro do ataque a Roma de Porsena, rei de Clúcios, a fim de repor de volta ao trono os Tarquínios. A coragem e a dedicação de lutar por sua cidade também é vista em “As Amazonas” mulheres guerreiras, como se é conhecida na mitologia grega “mulheres sem seios” essas índias guerreiras também lutavam por sua aldeia.
O navegante historiador, Francisco Orellana, diz que as “Amazonas” eram índias que viviam sempre em grupos formados somente por mulheres e tinham um objetivo de defender sua aldeia dos invasores que vinham para o amazonas com o intuito de escravizar os índios. Essas guerreiras cortavam seus seios para terem mais flexibilidade de manusear seus arcos e flechas e o tiro era sempre certeiro ao inimigo. Não havia homem, pois as crianças que nasciam meninos eram sacrificadas ou entregues ao pai. Só viviam juntas das índias guerreiras as crianças mulheres que eram treinadas para defender a aldeia do inimigo.    


[1] Graduando o 6º período do curso de letras (língua portuguesa), no Centro de Estudos Superiores de Parintins, CESP-UEA.

PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO



Marconde Maia Cruz
As escolas da rede municipal, estadual e do distrito, bem como também as universidades, possuem programas de educação que estimulam os estudantes a construírem conhecimentos e terem novos aprendizados nas áreas educacionais como, Mais Educação, EJA, Bolsas Universitárias entre outras que discute temas voltados para a área da saúde, esporte e lazer, arte e cultura, educação, valores humanos e demais, contribuindo para o conhecimento de cada estudante.  
As escolas da rede publica de todo o Brasil, tanto municipal, estadual e do distrito, foram contempladas com programas de educação fomentados pela secretaria de educação (SEMED) e também pelo Governo Federal. Os principais programas que o MEC dispõe para os estudantes são: Mais Educação, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Pró-jovem Urbano e demais programas que buscam melhorar os conhecimentos dos alunos nas área de saúde, esporte e lazer, educação, arte e cultura e muitos outros, contribuindo no aprendizado de cada aluno da rede escolar.
Em Parintins, as escolas da rede municipal por meio da Secretaria de Educação Esporte e Lazer (SEMED), aderiram esses programas levando ao conhecimento de cada estudante, temas educacionais visando reforçar o aprendizado de cada nas diferentes áreas da educação.  Além das escolas, as universidades também aderiram programas de educação como, bolsas universitárias, cujo acadêmico consegue por virtude de sua competência nos estudos universitários. Essas bolsas também servem para contribuir e elevar cada vez mais os conhecimentos de cada estudante. Tem-se, portanto os programas: Monitoria, PIBID, PAIC, PIBIC e outros programas de pesquisa e extensão, estimulando os acadêmicos a estudarem e consequentemente aderirem novos conhecimentos nas áreas de pesquisa.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) aderiu estes programas de ensino e pesquisas, estimulando os acadêmicos a estudarem e construírem conhecimentos em sua área de estudos e pesquisa.
Os programas educacionais, disponível tanto pelo MEC como também pelo Governo Federal, incentivam os alunos da rede municipal, estadual, distrito e das universidades a estudarem sempre e dessa forma adquirindo novos conhecimentos para sua vida.